sexta-feira, 31 de maio de 2013

Parada em Pernambuco

Como comecei falando das minhas férias pelo fato excepcional que ocorreu no final nela,  agora chegou a hora de colocar a casa em ordem e iniciar por onde tudo começou.

Primeiro dia
Meu ponta pé inicial não podia ser com mais ninguém do que a melhor anfitriã de Recife, Cela meia franja na cara. O bom de ter uma amiga que mora na terra onde eu vou turistar, é que eu não precisei pensar em nenhum roteiro. Era só eu falar do que eu gostava e o que eu queria comer e ela me levava. Tratamento VIP vipérrimo! Primeira lição: procure por guias que sejam nativos e amigos.


Eis que sabendo que sou uma roqueira, Cela me levou em um barzinho delícia chamado Burburinho, no Recife Antigo. O que mais gosto do povo da parte de cima do Brasil é que eles não economizam na caipirinha. É servido no copo de suco mesmo. Estou para lançar a ideia de servirem na jarra. A minha foi de cajá. Tudo que é de fruta eu peço de cajá. É a fruta da minha moda! Comi, vicei e não largo mais.


Para acompanhar, pedimos uma porção de bolinho de macaxeira recheado com queijo e carne seca. De uma tacada só, já emendamos uma espécie de bolão-hamburger de carne de sol desfiada, requeijão e queijo coalho. É, minha gente, primeiro dia e eu já enchendo a fome. Pra perder calorias, só mesmo as ladeiras de Olinda.


Depois, trocamos de bar. Bem coisa de bebum, mas juro que só bebi água. Muito álcool no cérebro faz minhas bochechas ficarem vermelhas e quentes. Mas só trocamos de boteco, porque queriam cobrar por um stand-up, e besteira por besteira, eu e a Cela falamos de graça.

Depois de receber as boas-vindas, voltei para o hotel porque no dia seguinte teria que seguir para Caruaru. Tinha que dar uma aula de scrap. Fiz esse miniálbum cheio de abas, tags, envelopes, tinta, gesso e mil outras coisinhas românticas. O tema foi Inspiration e eu usei as fotos do centro de São Paulo que tirei no curso de fotografia. (É, sei que estou devendo um post sobre isso também. Aguarde!)

Segundo dia
Peguei carona com a Dani e a Raphaela, duas amoras que tiveram uma paciência incrível na hora em que a gente se perdeu. Juro que se fosse eu no volante já tinha distribuído todo meu vocabulário chulo. Essa paciência toda só pode ser porque elas moram perto da praia, porque eu sou estressada devido a falta de areia e água salgada. No meio do caminho perdido, (des)encontramos com a Josi. Foi outra saga, mas, gente, foi divertido. E como as coisas só ficam bem quando elas terminam bem, chegamos no Ateliê Craft.

Dani e Pri são duas anfitriãs fofas, lindas e atenciosas. Me ajudaram na aula, improvisaram comigo, brincaram, tiraram fotos e não me abandonaram. Só teve um porém. Elas quase me bateram porque não levei a Cela pra lá.

Dani, eu e Pri. Foto emprestada do blog do Ateliê Craft.
A aula lotou e foi além. Tive que fazer kits extras de última hora. Muita gente se deslocou de Recife para Caruaru só para fazer a aula. Loxo!

Kit da aula. Foto by Ateliê Craft.
Eu optei em distribuir as técnicas só na capa. Eu queria que elas entendessem que scrap não é só material oficial, de grandes marcas. Podemos improvisar com que temos em casa ou da loja de armarinhos, porque foi assim que eu comecei e muita coisa do meu scrap atual ainda carrega essa essência.

Capa do mini.
Foi uma tarde divertidíssima, e a mulherada gostou tanto que já estão querendo que eu volte obrigatoriamente ainda este ano.

Mulherada mostrando que para fazer arte é preciso sujar as mãos.
Quem me levou de volta para Recife foi a Mari e o seu marido. Gente, que casal mais simpático e encatador!! Fomos os três falando a viagem toda e ainda eles pararam no Rei das Coxinhas para eu experimentar a dita cuja, que nem gosto, apenas é minha comida trans mais amada do planeta.

Quem adivinhar do que é suco, ganha um beijo e um queijo.
E de tanto que eles me deixaram com água na boca com o tal do Cartola, eu não resiste e provei essa delícia. O carinho que esses dois me proporcionaram foi tão especial que eu prometi que, quando eles viessem para SP, eu ia preparar um roteiro especial pra gente!
Depois de um dia desses, minhas férias prometiam! E prometeram! Quem viver, verá!

Não, não comi tudo sozinha.
Cheguei no hotel, tive que fazer um relatório para Cela porque ela queira saber de tudo e depois desmaiei na cama. Precisava descansar para o próximo dia porque ia se juntar, nada mais nada menos, que o casal mais baiano-corintiano-maloqueiro que conheço. Não ia ser fácil!

Terceiro dia

Imagine juntar o que tem de mais bagaceiro no mundo. Sim! Eu, Cela, Baiana e nosso Cadinho Sidinei em Olinda. Se tivesse que escolher apenas duas letras para resumir esse dia seria HAHAHAHAHAHA. Sem brincadeira, fazia um tempão, acho que desde meus tempos de solteira (abafa!) que não ria sobre tanta baboseira do que se foi falado, feito e curtido.

Uma das poucas fotos, antes de acabar a bateria.
Eu não sei foi aquela amostra de cachaça de cajá, mas o fato é que saíram lágrimas dos olhos e as bochechas quase sofreram com cãibras de tanto rir.



É que uma zueira puxava a outra e não parou mais. O riso saiu rolando pelas ladeiras de Olinda. Foi assim que as comemorações do niver da Cela começaram. Por falar nela, ela estava mais implicante com as fotos do que das últimas vezes. Eis, então, que a bateria da minha câmera acabou. Total vacilo meu que deixei a câmera ligada no aula, no dia anterior. Quando cheguei no hotel, estava tão exausta que a única bateria que eu lembrei de carregar foi a minha.  Que meus professores de fotografia não saibam, iriam puxar minha orelha. Restou apenas o celular para escolher cuidadosamente as fotos que iria bater.

Bonecas em porta e janelas.


 

Fiquei arrasada com esse vacilo meu! Estava num lugar lindo, perfeito para fotografar tantas cores e história e eu pequei. Está certo que não é a primeira vez que vou a Olinda, mas fiquei puta comigo mesmo. Mas tomei um sorvete e passou.



À noite, fomos finalizar os trabalhos comendo algumas obscenidades no Cordel Botequim. O mais engraçado era que toda vez que a gente fazia um brinde, a Cela não dava um gole antes de botar o copo na mesa. Depois fala que não tem sorte na vida, que Deus não ajuda. Difícil.

Caipirinha na taça de sorvete.
Passou da meia-noite e fomos os primeiros a dar os parabéns e os presentes mais amáveis que um coração pode presentear. Deve ser uma espécie de bênção, eu, paulistana, poder curtir o aniversário da Cela, recifense: a pessoa mais trouxa-talentosa-chula-maloca-inteligente-e-doente-pelo-Naútico-que conheço. Pensa. As únicas coisas que lembro do Náutico são uma cena do filme Boleiros e a famosa Guerra dos Aflitos. Parabéns, Cela, querida! Apesar do aniversário ser teu, ele foi muito especial para mim.


Quarto dia

A melhor parte de viajar com os amigos é quando você planeja o improviso juntos, quando um sem querer aparece no meio do caminho e todos topam na mesma hora. Foi assim minha viagem à Praia de Carneiros. Eu e esses baianos já fizemos tantas coisas juntos que eu me sinto parte da família deles e eles da minha. Intimidade do tipo "fazer xixi de porta aberta". Mentira.


Toda essa irmandade me fez lembrar das viagens que fazia com meus tios, tias e primas. É a mesma atmosfera festeira, cheia de sorrisos divertidos, piadas e histórias bizarras.
Uma das coisas que me fizeram reviver essas memórias foi aquelas paradas no meio das estrada. A gente para para encher o tanque e acaba comprando um barco de comida e como não bastasse para de novo, uns quilômetros a frente, para aí sim comer. Eis que se descobre umas belezuras deliciosas, daquelas que faz a gente se tornar cliente.


E não importa se a gente considera pastel almoço (coisa de paulistano que faz feira) e sorvete sobremesa (coisa de gente que tem comer algo salgado depois de um doce, sempre), a gente vai almoçar. De novo, para alguns.



Alguns dizem que praia nordestina é tudo igual. E é. É igualmente linda, igualmente deserta, igualmente calma, igualmente cheia de coco e sorvete, igualmente com um gostoso mar para se mergulhar, igualmente assim: paraíso. E quanto mais afastada do centro, mais parecidas as praias são.


Como em toda família na praia, há as cenas típicas que sempre vemos.
Casal passando protetor solar um no outro.


Não largar o vício.


Voltar a ser criança.



E na volta ouvir jogo de futebol (Bahia levando uma surra do Vitória e eu tentando conectar meu 3G para ouvir o jogo do Timão) banhado por um lindo pôr-do-sol.


Fui dormir em Pernambuco e acordar na Bahia. Férias deliciosas!

domingo, 12 de maio de 2013

Decisões


Em época de decisões futebolísticas, lembrei que não tinha postado essa página dupla. Ela foi feita para o álbum que foi vendido no Scrapdiary, no ano passado, na feira. O tema era o que faz você feliz. E no meio das dores e da doença em 2012, o único momento de extrema felicidade era quando via os jogos do Corinthians. Esquecia da dor, não sentia dor, na verdade.


Eu sempre fico nervosa em decisões, principalmente durante a partida. Mas nessa Libertadores e no Mundial, uma tranquilidade e uma certeza eram evidentes em mim. Como realmente estivesse escrito nas estrelas que nossa hora era aquela. E como foi lindo! 
Pode parecer fácil falar agora, mas nunca tive certeza de que algo daria certo como nessas duas conquistas.


Hoje, lembro de outro dia das mães, dia de clássico, semifinal do Paulista, dia de Corinthians X Santos, quando o Ricardinho fez aquele gol no último minuto do jogo e eu e minha irmã quase matamos todas as mães que se encontravam no recinto de tamanha a gritaria.
Como se não bastasse, todo ônibus cheio de corintianos que estava voltando do Morumbi e passava pela rua, estávamos nós lá janela gritando Timão eô. Maloca total!
Que essas boas vibrações estejam conosco durante essa semana cheia de decisões!
Beijo!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Show do Paul McCartney em Belo Horizonte

Lá na frente, no meio do povão.

Vamos começar pelo final, porque, pelo amor, estamos falando de Sir Paul McCartney. E foi assim que minhas férias fecharam com chave de ouro.

Dessa vez cheguei cedo, às 15h00 da tarde já estava nos arredores do Mineirão para entrar na fila. Só consegui entrar no estádio às 19h00!! Depois da experiência do Coachella, falta muita, mas muita coisa para o Brasil organizar o mínimo para um show de grande porte. Vou ser repetitiva, mas #imaginanacopa.
Vendedores ambulantes era quase zero ao redor do estádio. Prefeitura proibiu. Agora imagina aquele sol na jaca e pouca água pra vender. Era necessário sair da fila pra ir até algum lugar "oficial/autorizado" para comprar uma garrafinha a 3 reais.

Já que Dona Claudinha e Sidinei não me acompanharam, foi a vez da minha irmã.
Conforme as horas foram passando, meu coração acelerava. Sempre parece que é a primeira vez. A ansiedade vai tomando conta, eu comecei a segurar as lágrimas, mas não sabia até quando. Apesar de muita gente, estava tudo tranquilo. Como sempre, você via famílias inteiras, como se a música dos Beatles fosse uma herança passada de geração a geração. 


Então meia hora antes do show começar, os telões começaram a passar várias imagens da carreira de Paul. Os Beatles, as bandas contemporâneas, os Wings, a carreia solo, a família...tudo muito caprichado e que me fez lembrar muito do scrap. Certeza que alguém da produção faz.

Rola até um distress.
As imagens não mentem. Têm colagem, mixed media, fotos, tintas. 
O único problema é que eu ficava mais ansiosa porque ao mesmo tempo que o início do show ficava mais próximo, parecia que as imagens não acabavam nunca e eu só queria que acabassem logo.



Mas como eu gosto, nada de atraso. Pelo contrário, antes das 21:30, Paul pisou no palco e minhas lágrimas disseram "hello". Nessa hora, eu esqueço de tudo. Da fila imensa, do calor, da espera, da viagem cansativa, do saco de Fandangos a R$ 10,00, da vontade de fazer xixi, da menina pentelha que está lá só para fazer check-in no Facebook e não conhece nem Let it be, da pessoa que reclama porque pisaram no pé ou te empurraram (eu mesma tomei uma cotovelada bem no meio do queixo e sorri), de gente que é modinha e nem sabe o que está fazendo ali. Ele faz valer.


Aquele choro eu nem sabia sobre o que era. Mentira, sabia sim. A última coisa boa que me lembro antes de ficar doente foi o show do Paul, em 2012. E quem diria que quase um ano depois estaria novamente em seu show? É além da perfeição cair bem no finalzinho das minhas férias. Na verdade, eu já tinha voltado antes, na quinta, depois do feriado. Mas parece que foi combinado o show ser no sábado, logo depois de dois dias de trabalho. Dá para considerar uma emenda das férias.


Durante o período que estivesse doente, eu quase não ouvi Beatles ou qualquer música da carreira solo dos seus integrantes. Acho que, inconscientemente, me recusava, porque não combinava eu associá-los com aquilo. Eu tenho uma história bonita com eles e queria deixá-la intocável. (Aliás, quase não conseguia escutar música nessa época. Nenhuma cabia minha dor e minha confusão psicológica. Só conseguia nos dias quando estava bem. Engraçado, né?). Eles não são só a trilha sonora de muitas partes da minha vida, mas também fazem parte da minha formação como pessoa.


Lembro até hoje quando a letra de Ebony and Ivory caiu na minha mão. Mais do qualquer aula de Educação Moral e Cívica, Filosofia e História, ela me conscientizou sobre tolerância e igualdade racial e social. Eu ficaria horas dando exemplos como esses.


Poderia contar também as tantas vezes que uma música me colocou na linha esperançosa da vida.  


Se para o Paul, fazer música evita de você ir ao um psiquiatra e permite falar coisas que nunca falaria pessoalmente, para mim uma canção purifica, porque são coisas que eu sempre quis dizer mas nunca encontraria palavras para tal, muito menos executá-la.


Agora, imagine quando eu escutei os primeiros acordes de Eight days a week. Uma canção que eu jamais pensaria escutá-la ao vivo. Uma música que já virou tema de uma página de scrap. Uma letra que eu sei de cabo a rabo, que eu cantava debaixo do chuveiro na maior felicidade...


O mais legal de você ir no primeiro show de uma turnê é que você não tem ideia do que virá. Claro que não vão sobrar clássicos, como Let it Be, Hey Jude, Something, Yesterday. Mas rola aquela expectativa "o que será que ele vai tocar agora?". E no final, quando eu fui fazer aquela comparação do que ficou de fora das outras turnês, eu nem fiquei triste ou senti falta dessa ou aquela música. É muita música boa para poucas 2 horas e meia. Então, se saiu aquela em prol de outra, qual o problema?


Teve alguns poréns. O microfone estava um pouco baixo. Não dava para ouvir a voz do Paul. Nos outros shows, tudo foi impecável tecnicamente. Além disso, o som falhou umas três vezes, em Obladi, oblada e Band on the run. De onde eu estava, deu pra ouvir que o retorno para quem estava no palco estava tudo bem, mas para quem estava na plateia, zerou tudo. Foi então que o público entrou em cena e segurou as músicas como um coral gigantesco.


E o Paul? Ah, Paul, com todo aquele galanteio e charme para tentar falar português como nenhum outro astro gringo consegue. Muito amor, muito!


Um dos momentos mais lindos e emocionante, para mim, claro, foi quando ele cantou Blackbird e Here today em cima de uma plataforma que o deixou nas alturas. Pensa: Paul, violão e uma combinação de imagens espetaculares. Todo mundo de boca aberta de admiração ou de boca fechada chorando.


Na hora de Maybe I'm amazed, uma das canções de amor mais espetaculares que existe no mundo, passou um casal na minha frente. O cara estava em prantos e minha irmã comentou: "você viu o cara estava chorando pacas!". Eu virei com os olhos encharcados e disse pra ela: "vi." A cara que ela vez foi hilária.


Teve músicas nunca antes tocadas ou pouco executadas. 


Teve momento fofura.




Momentos espetaculares como das luzes em Let it be.


Momentos de pauleira com Live and let die and Helter Skelter.




Momentos para não esquecer como o coral em Yesterday.


E o momento de dizer Thank you!


Se eu encontrasse Paul na rua e pudesse dizer duas palavras seriam essas. Primeiro que não teria coragem de falar nada, mas seria o mínimo pelo máximo que ele já fez por mim.


Ah, estava esquecendo de comentar um fato. Você está em um show de rock, não um concerto. Você vive na era digital, então se contente que vai ter,sim muitas, muitas pessoas tirando fotos e gravando. Não comece a dar chilique e xingar o povo que está tentando fazer isso. Eu sou daquelas que no dia seguinte vai direto no You Tube pra rever o show. Eu sou daquelas que tira foto mesmo, porque sou da máxima de Émile Zola, quando diz: "na minha opinião, você não pode dizer que viu qualquer coisa a fundo se você não tirou uma fotografia disso." Desculpa aí, mas para pessoas pentelhas como eu, uma foto não basta! Então...

E quem fala que ele já está velho, já não tem mais voz, que o Brasil já virou carne de vaca nas turnês, chupa a pele do meu cotovelo que ela anda um pouco desidratada. Aqui é Corinthians! Hahahahaha!!


Foi um dos shows mais espetaculares que vi na vida. Só perde para o show de Paul, em São Paulo, em 2010. O primeiro a gente nunca esquece.
Pra quem quiser conferir mais fotos, tá lá no meu Facebook. E quem quiser saber mais, leia o melhor texto sobre o show em BH. 
Beijo e ótima semana!
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